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Após ataque hacker bilionário, Binance diz que investimentos de brasileiros estão seguros

Hackers roubam US$ 6,3 bilhões da Binance, maior corretora de criptomoedas do mundo A corretora de criptomoedas Binance afirmou nesta sexta-feira (30) que os investimentos de seus clientes brasileiros permanecem seguros após o ataque hacker que resultou no roubo de US$ 6,3 bilhõe...

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G1 - Economia Fonte Externa
30 de outubro de 2026 • 8 min de leitura
Após ataque hacker bilionário, Binance diz que investimentos de brasileiros estão seguros

Hackers roubam US$ 6,3 bilhões da Binance, maior corretora de criptomoedas do mundo

A corretora de criptomoedas Binance afirmou nesta sexta-feira (30) que os investimentos de seus clientes brasileiros permanecem seguros após o ataque hacker que resultou no roubo de US$ 6,3 bilhões (cerca de R$ 34 bilhões) em criptomoedas. (leia o comunicado na íntegra mais abaixo)

Em comunicado, a empresa explicou que os ativos dos clientes no Brasil são mantidos em cold wallets, conhecidas como carteiras frias, e que segue as regras do Banco Central do Brasil (BC), que exigem a separação dos recursos dos usuários daqueles pertencentes à corretora.

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🔎 Cold wallet, ou carteira fria, é uma forma de guardar criptomoedas que mantém as chaves necessárias para movimentá-las desconectadas da internet. Isso dificulta a ação de hackers e reduz o risco de roubos virtuais, mas não elimina completamente a possibilidade de perdas.

Apesar da garantia de segurança, os saques de criptomoedas estão temporariamente suspensos. Segundo a Binance, a medida é preventiva e permite a realização de uma análise dos sistemas da plataforma.

A corretora informou que segue dentro do cronograma para restabelecer o serviço em até 45 horas. Os depósitos não foram afetados, e os demais serviços continuam funcionando normalmente.

“A segurança dos ativos virtuais de nossos clientes continua sendo nossa maior prioridade”, afirmou a Binance.

Pelas regras do Banco Central, em vigor desde fevereiro deste ano, as corretoras de criptomoedas devem manter o dinheiro e os ativos digitais dos clientes separados dos recursos da própria empresa.

A exigência, porém, não elimina o risco de ataques hackers nem garante o ressarcimento de eventuais perdas.

Investidores brasileiros ainda podem perder dinheiro?

André Matos, CEO da MA7 Capital, explica que, neste momento, o principal risco para os clientes da Binance é ficar temporariamente sem acesso aos recursos, e não a perda definitiva.

A corretora prometeu cobrir os prejuízos provocados pelo ataque utilizando seu fundo de emergência, recursos próprios e valores roubados que já foram bloqueados.

Segundo Matos, porém, a capacidade da empresa de arcar com todas as perdas ainda não foi comprovada de forma independente.

"Há ainda um ponto que muita gente não percebe: a promessa cobre os ativos roubados, não a queda de preço", afirma.

Isso significa que os investidores também podem perder dinheiro com a desvalorização das criptomoedas, mesmo que seus ativos não tenham sido diretamente atingidos pelo ataque.

Diferentemente dos depósitos bancários e de determinados investimentos de renda fixa, as criptomoedas não contam com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Celso Camilo, doutor em Inteligência Artificial pela Universidade Federal de Goiás (UFG), ressalta que o ataque não significa que todos os investidores em criptomoedas terão seus recursos comprometidos.

"Estamos falando da maior corretora de criptoativos do mundo, e um incidente dessa dimensão afeta diretamente a confiança dos investidores. Quem mantém recursos na Binance enfrenta uma exposição mais direta ao problema, principalmente em relação à segurança dos ativos e à disponibilidade de saques", afirma.

Segundo Camilo, quem investe por outras plataformas não está necessariamente exposto ao ataque, mas pode sentir os efeitos da queda dos preços.

"Portanto, é importante separar o risco de perder recursos em uma plataforma do risco de desvalorização dos ativos, que atinge o mercado de maneira mais ampla."

Após a divulgação do ataque hacker, o mercado de criptomoedas reagiu em forte queda nesta sexta-feira.

Por volta das 14h24 (horário de Brasília), o Bitcoin e o Ether caíam mais de 4%, cotados a US$ 77.274,30 (cerca de R$ 417,3 mil) e US$ 2.245,39 (cerca de R$ 12,1 mil), respectivamente.

Já o BNB, criptomoeda ligada à Binance, recuava 6%, para US$ 700,80 (R$ 3,8 mil).

As perdas também atingiram o mercado de ações dos Estados Unidos. Os papéis da Coinbase, outra grande corretora de criptomoedas, recuavam mais de 13%, enquanto os da Strategy, empresa conhecida por seus investimentos em Bitcoin, caíam mais de 8% nesta tarde.

Os fundos de criptomoedas negociados na B3 também registravam perdas, em meio à repercussão do ataque hacker à Binance.

Por volta das 12h40, o HASH11, que acompanha uma cesta de moedas digitais, recuava 2,64%, enquanto o QBTC11, atrelado ao Bitcoin, caía 3,94%.

Como saber se o dinheiro está exposto à Binance?

Segundo André Matos, o primeiro passo é verificar onde as criptomoedas estão armazenadas e quem é responsável por protegê-las.

"Se elas estão na sua conta da Binance, você está exposto, porque quem tem a custódia é a corretora. Se estão em uma carteira própria, em que só você tem as chaves, o ataque não atinge esses ativos diretamente, embora o preço possa cair."

Para quem investe por bancos, fundos ou outros aplicativos, a recomendação é verificar qual instituição guarda os ativos e quais plataformas são utilizadas nas operações.

O que os investidores devem fazer agora?

Embora os recuros ainda estejam bloqueados para quem investe na Binance, Matos recomenda evitar decisões precipitadas, reforçar a segurança das contas e ficar atento a possíveis golpes.

"O mais importante é não agir no pânico. Vender na baixa ou tentar sacar a qualquer custo pode transformar um problema temporário em prejuízo definitivo."

O especialista recomenda que os investidores:

Ativem a autenticação em duas etapas;

Guardem os comprovantes dos investimentos;

Desconfiem de mensagens que prometam liberar saques em troca de senhas ou dados pessoais.

Para reduzir riscos no futuro, ele também recomenda não concentrar todos os investimentos em uma única corretora.

"Quem pretende manter as criptomoedas por muito tempo deve considerar uma carteira própria, de preferência física, tomando muito cuidado para guardar as palavras de recuperação."

🔎 Uma carteira física é um dispositivo que permite ao investidor guardar as chaves de acesso às criptomoedas fora da internet, sem depender de uma corretora.

Para recuperar o acesso aos recursos em caso de perda ou defeito do aparelho, é necessário guardar uma sequência de palavras de segurança. Se essas palavras forem perdidas ou caírem nas mãos de criminosos, o investidor pode ficar sem suas criptomoedas.

Entenda o ataque hacker na Binance

O ataque à Binance ocorreu na quinta-feira (29) e é considerado o maior roubo já registrado na história do setor de criptomoedas.

Segundo as empresas americanas TRM Labs e Chainalysis, especializadas em rastrear movimentações de criptomoedas, os responsáveis seriam hackers ligados à Coreia do Norte.

A Binance, porém, afirmou que sua investigação ainda não identificou os criminosos.

De acordo com a Reuters, a corretora está trabalhando com autoridades policiais de diferentes países, incluindo o Departamento Federal de Investigação (FBI, na sigla em inglês) e o Serviço Secreto dos Estados Unidos (USSS).

Até agora, cerca de US$ 3 bilhões (R$ 16,2 bilhões) em criptomoedas roubadas foram localizados. Parte desses recursos foi bloqueada com a ajuda de outras empresas do setor, mas isso não significa que o dinheiro tenha sido recuperado.

As investigações ainda estão em andamento, mas as primeiras informações ajudam a entender como os criminosos conseguiram desviar uma quantia tão elevada em poucos minutos.

Inicialmente, a Binance suspeitou que o ataque tivesse começado pelo computador de um de seus engenheiros. O equipamento teria sido invadido, permitindo que os hackers acessassem os sistemas da empresa. (veja mais aqui)

Posteriormente, a corretora informou que identificou outras possíveis falhas de segurança exploradas pelos criminosos.

Segundo a TRM Labs, os invasores conseguiram comprometer o sistema responsável por autorizar transferências de criptomoedas.

A maior parte do roubo aconteceu em aproximadamente 20 minutos, por volta das 17h (horário de Brasília), segundo registros das transações analisados por especialistas.

Após o desvio, os criminosos começaram a movimentar rapidamente os recursos para dificultar o bloqueio e o rastreamento do dinheiro.

Leia a íntegra da nota da Binance

"Diante das notícias recentes sobre o incidente de segurança envolvendo a Binance Global, a BBrasil SPSAV LTDA., entidade da Binance que atende os usuários brasileiros, confirma que os fundos de seus clientes permanecem seguros. Além de observar os requisitos de segregação estabelecidos pelo Banco Central do Brasil, os ativos virtuais são mantidos em cold wallets (carteiras frias), agregando uma camada adicional de segurança e reforçando o compromisso da BBrasil SPSAV com a proteção dos ativos de seus clientes.

Como medida preventiva e conforme informado anteriormente, os saques de ativos virtuais estão temporariamente suspensos enquanto realizamos uma verificação minuciosa de segurança. Todos os demais serviços da plataforma continuam funcionando normalmente, e retomaremos as operações de saque assim que o processo de verificação for concluído.

A segurança dos ativos virtuais de nossos clientes continua sendo nossa maior prioridade. Permanecemos plenamente comprometidos com a manutenção de padrões rigorosos de segurança para garantir a total confiança de todos os nossos clientes.

Pedimos sinceras desculpas por qualquer inconveniente causado."

Logo da Binance.

Unsplash/Kanchanara

Conteúdo importado automaticamente via RSS de G1 - Economia.

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